terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Organização da JMJ ainda deve R$ 20 milhões pela festa

Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, a organização da Jornada Mundial da Juventude ainda deve cerca de R$ 20 milhões relativos aos gastos da festa que trouxe o papa Francisco em julho ao Brasil.

A ideia de vender o cemitério do Catumbi, no Rio, para quitar as dívidas, não vingou. Para reduzir o rombo que ultrapassava os R$ 100 milhões, os religiosos se desfizeram de patrimônio, entre eles o prédio do hospital Quinta D'Or.

E isso mesmo depois dos milhões de reais em dinheiro público recebido pela organização da JMJ. Por que os fiéis católicos não ajudam no pagamento dessa dívida, já que foram os únicos beneficiários dessa "festa"?

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

China proíbe autoridades de fumar em público

DA ASSOCIATED PRESS, EM BEIJING

A China, país com o maior número absoluto de fumantes no mundo, resolveu fazer uma nova tentativa para limitar o hábito: proibir autoridades de fumar em público.

Segundo a agência de notícias oficial Xinhua, autoridades não podem fumar em escolas, em hospitais, em eventos esportivos, no transporte público ou em qualquer outro lugar onde o fumo já seja proibido pelo Ministério da Saúde. Também não podem acender ou oferecer cigarros quando estão em atividades oficiais, e nem usar dinheiro público para comprar cigarros. Em gabinetes do governo ou do Partido Comunista, não se pode vender e nem anunciar produtos com tabaco.

Em 2011, o Ministério da Saúde chinês proibiu o fumo em locais públicos fechados, como hotéis e restaurantes, mas há pouca fiscalização. Especialistas dizem que as grandes receitas do monopólio estatal do tabaco atrapalham as medidas antifumo.

A nova proibição tem em sua mira os maus exemplos dados pelas próprias autoridades. O comunicado oficial, divulgado pela Xinhua, diz: "O fumo permanece sendo um fenômeno universal em locais públicos. Algumas autoridades fumam em locais públicos, o que não apenas causa danos ao ambiente e à saúde pública como também suja a imagem de líderes e gabinetes do governo e do partido, tendo influência negativa."

O país tem hoje 300 milhões de pessoas que fumam em sua população de 1,35 bilhão de habitantes. Esses 22% de fumantes formam um contingente maior do que a população inteira do Brasil, estimada pelo IBGE em pouco mais de 201 milhões de habitantes. Os fumantes chineses transformaram em fumaça 2,5 trilhões de cigarros em 2012, ou 8,4 por fumante, segundo a Associação Chinesa de Controle do Tabaco.
O governo chinês está certo. Se o fumo é proibido em certas situações e locais, as autoridades devem dar o exemplo. Acho que autoridades de qualquer país deveriam inclusive participar das campanhas contra o tabaco, para desestimular o fumo, principalmente entre crianças e adolescentes. Lembro que quando eu estudava, havia muitos adolescentes que fumavam. No ano em que estudei na Escola Estadual Lourdes Pereira, em Assis (SP), alguns dos alunos que saíam por buracos na grade que cercava a escola fumavam antes de entrar para voltar às aulas.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Ofertas de emprego em Cândido Mota (SP)

A Prefeitura do Município de Cândido Mota (SP), através da Secretaria de Administração - Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), informa vagas de serviços para:
  • 22 VAGAS DE SERVIÇOS GERAIS
  • 1 VAGAS DE ASSISTENTE DE ALMOXARIFADO
  • 2 VAGAS DE AUXILIAR DE ARMAZENAGEM
Os PATs têm por objetivo a busca de alternativas para a inserção dos trabalhadores no mercado de trabalho, propiciando informações e orientações ao trabalhador na procura por emprego e, aos empregadores, na busca de recursos humanos, promovendo o encontro de ambos de maneira ágil, minimizando o custo social causado pelo desemprego. Concentram os serviços prestados pelo PAT, sendo centros de referência das políticas públicas de geração de emprego e renda. Nos PATs são oferecidos os serviços de Intermediação de Mão de Obra, Habilitação ao Seguro-Desemprego e Emissão de Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS.

Maiores informações, procure o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), localizado na Rua Antonio da Silva Vieira 601, no centro de Cândido Mota (SP).

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Rachel Sherazade fala sobre o Natal

Eu particularmente não acho errada a troca de presentes com pessoas mais próximas no Natal, mas acho que realmente há um consumismo exagerado nessa época. Infelizmente o foco tem sido só os presentes, deixando-se de lado o aniversariantes. E as crianças, infelizmente, aprendem a ser consumistas desde pequenas, só querendo presentes, e nada mais.

Posso citar dois exemplos próximos de mim. Minha esposa tem três filhos de relacionamentos anteriores. Um menino de dez anos, outro de oito e uma menina de quatro anos. Dias antes do Natal, ela deu um par de tênis de presente para cada um dos meninos. E quando o tio deles veio falar com eles sobre presentes, o mais velho disse que não tinha ganho nada, o que deixou minha esposa brava. "E o tênis que você está calçando?", ela perguntou.

Outro caso é o da minha enteada, a filha mais nova da minha esposa. Toda vez que ela vê a propaganda durante os desenhos que ela assiste na TV Cultura ou nos canais pagos que exibem programas infantis, a primeira coisa que ela fala diz é: "Compra, mãe!" E isso é toda hora, todos os dias. A mãe dela já até responde automaticamente que vai comprar (mesmo que não tenha essa intenção), só para que a menina não reclame e não chore. Ela só dá uma resposta negativa quando ela está brava com a filha por ela ter feito algo errado, senão é automático. "Compra, mãe?" "Compro." Sempre quis saber com quem a menina aprendeu a ser tão consumista.

Mas também há algo pior, que é não conversar com os filhos sobre Jesus, e não dizer a eles sobre o real significado do Natal, que é comemorar o nascimento de Jesus. Além disso, devemos ensinar às crianças a razão de Ele ter vindo ao mundo e o quanto Ele é importante para nós, cristãos. Se eu perguntar para a minha enteada, por exemplo, por que as pessoas comemoram o Natal, acredito que, ao invés de dizer que é por causa do nascimento de Jesus, ela vai dizer que é para fazer festa e ganhar presentes, pois nunca vi a minha esposa falando com ela sobre Jesus. O meu enteado sim responderia corretamente, pois, apesar de não ser mórmon como eu, ele estudou catecismo (a família da minha esposa é católica) e fez primeira comunhão. Algumas pessoas poderiam dizer: "Ah, mas a menina só tem quatro anos". Mas para mim, já é idade para ela aprender algumas coisas sobre a religião dela. Ainda mais sobre o significado do Natal.


Segue o link para um excelente texto sobre o assunto, do jornalista Sérgio Vieira, de Assis (SP): Jesus Esquecido no Natal.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Saiba como ajudar as vítimas das enchentes no Espírito Santo

Devido à enorme proporção de chuvas que caíram no Espírito Santo em Dezembro de 2013, criamos esse anúncio para os que desejarem ajudar os desabrigados. Conforme forem surgindo novas formas de ajudar, colocaremos aqui.

Sua contribuição é muito importante.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Após mais de dez anos, Dilma escolhe caças suecos para a FAB


Foto: AFP

Após mais de dez anos de discussão, a presidente Dilma Rousseff decidiu pela aquisição de caças Gripen NG, da sueca Saab, para a FAB (Força Aérea Brasileira) para o programa FX-2.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, anunciaram hoje a aquisição dos caças. No sábado, o Painel havia antecipado que a presidente havia comunicado ao presidente da França, François Hollande, que o Brasil não compraria da França as 36 aeronaves.

Decisão se arrastava desde 2001; entenda o caso

É um final surpreendente para a disputa, que teve ao longo do segundo governo Lula o francês Dassault Rafale como o principal favorito --o avião chegou a ser anunciado como escolhido pelo presidente e seu colega Nicolas Sarkozy em 2009, mas o governo brasileiro recuou após a insatisfação da FAB, que não havia sido consultada sobre a decisão.

Contra o Rafale sempre pesou a questão do preço: seu pacote inicial chegava a US$ 8 bilhões, embora descontos tenham sido negociados. No governo Dilma Rousseff, os americanos e seu Boeing F/A-18 passaram à dianteira por causa de sua oferta comercial mais atraente, de declarados US$ 7,5 bilhões mas com diversas compensações. A Boeing chegou a associar-se para vender o novo cargueiro da Embraer, o KC-390.

Só que o escândalo da espionagem da Agência Nacional de Segurança americana, que incluiu Dilma no rol das autoridades alvo de arapongagem, derrubou politicamente o F-18.

Com isso, o pequeno Gripen, avião criticado por ser menor do que os concorrentes e menos testado em combate, voltou à condição de favorito que a própria FAB havia declarado em seu primeiro relatório sobre a escolha, em dezembro de 2009. O pacote de 36 aviões foi oferecido por US$ 6 bilhões, mas a compra pode acabar em torno de US$ 5 bilhões.
Fonte: Folha de S.Paulo

É fundamental que um país com grande extensão territorial e grandes riquezas tenha um bom poder de defesa e dissuasão. Os novos caças serão ágeis e podem atravessar o espaço aéreo nacional em pouco tempo.

O Brasil possui as riquezas da Amazônia, o Pré-Sal, instalações nucleares e grandes pólos industriais, que podem ser alvos de ameaças externas, inclusive do terrorismo. Alguns vizinhos do nosso país, como o Chile e a Venezuela, possuem caças modernos, logo por uma questão de equiparação, precisamos ter também.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

EUA querem posse de locais de pouso na Lua

Vendo que a batata está assando, congressistas americanos discutem a possibilidade de criar uma lei que transforme todos os locais em que houve pousos tripulados na Lua em Parques Nacionais dos Estados Unidos.

O Apollo Lunar Landing Legacy Act foi introduzido no Congresso em 8 de julho de 2013, sem dúvida em antecipação à chegada da China na Lua, com sua sonda não-tripulada Chang’e-3 e o jipe robótico Yutu. O medo é que futuras missões de outros países — ou mesmo de empreendimentos comerciais — adulterem os locais históricos em que homens pela primeira vez caminharam sobre a Lua.

(Se você é daqueles que não acreditam nas missões lunares americanas, sugiro a leitura do texto “Cinco provas da ida do homem à Lua”, pelo menos enquanto o Mensageiro Sideral ainda não produz o já planejado “Mais cinco provas…”)

A proposta colocaria os seis sítios, que abrigam pegadas, bandeiras e artefatos tecnológicos deixados pelos astronautas, sob jurisdição do Departamento de Interior dos EUA. Só que a ideia tem vários problemas, de ordem prática e legal.

Em termos da legalidade, os Estados Unidos são signatários do chamado Tratado do Espaço, posto em efeito em 1967, que diz que nenhum país pode clamar para si a posse de partes de corpos celestes. Dizem os congressistas defensores da nova legislação que o Parque Nacional seria composto apenas pelos equipamentos deixados na Lua, e não pela Lua em si, mas é obviamente uma “mandraqueada” para se apropriar de um pedaço de terreno lunar.

Um problema mais sério é que os Estados Unidos não têm no momento condições de patrulhar os supostos parques e protegê-los de invasores. Se a China decidir que sua próxima sonda vai descer do ladinho da plataforma do módulo lunar deixada pela Apollo-11, quem estará lá para impedir? O pessoal vai entrar em guerra por causa disso?

Para encaminhar essa questão numa direção mais produtiva, Henry Hertzfeld e Scott Pace, da Universidade George Washington, sugerem que a proteção arqueológica dos sítios Apollo deveria ser feita, não por meio de uma lei nos EUA, mas sim por acordos internacionais. A sugestão foi feita recentemente em artigo publicado no periódico científico “Science”.

Um acordo multilateral, no âmbito da ONU, seria mais difícil de negociar. Por isso, a dupla sugere acordos bilaterais conforme países adquirissem capacidade técnica para visitar a Lua. No momento, seria preciso assinar com a Rússia e, desde a semana passada, com a China.

O Mensageiro Sideral sempre imaginou que o local de pouso da Apollo-11 até o fim do século 21 seria parte de um museu, preservado por uma redoma e passível de visitação por turistas espaciais. E você, o que acha?
Fonte: Folha de S.Paulo

Editor do jornal "Voz da Terra", de Assis (SP), cria "Blog da Liberdade"

O jornalista Sérgio Vieira, que há muitos anos atua na imprensa local, criou um blog denominado "Blog da Liberdade", onde pretende discutir assuntos locais e nacionais. Os leitores poderão acessar no endereço blogvivaaliberdade.blogspot.com.br.

O blog conta com algumas postagens feitas pelo jornalista e deverá ser alimentado diariamente com notícias referentes ao dia a dia de Assis (SP) e região, assim como comentários relacionados ao que acontece no Brasil. De acordo com o jornalista, o objetivo  é discutir assuntos que a mídia tradicional normalmente não leva para suas páginas ou manda para o ar em função de compromissos comerciais ou mesmo políticos.

De acordo com Vieira, os blogs estão se constituindo em um eficiente meio de comunicação com os leitores e estão sendo cada vez mais acessados, por entenderem que encontram nestas novas mídias as informações que normalmente não conseguem observar na mídia comercial. Em sua opinião, cresce a importância das novas mídias, e um exemplo disso é que o número de pessoas que as acessam no dia a dia cresce acentuadamente.

Ele convida os colegas de imprensa, assim como a comunidade em geral, a acompanhar suas postagens diárias no blog, que teve o sugestivo título de "Blog da Liberdade". "Escolhi este título justamente porque o jornalista necessita de liberdade para escrever. Se você não der liberdade para o jornalista escrever, é o mesmo que lhe retirar o ar que respira", salientou.

Após vários anos assinando o editorial "Bom Dia Leitor" do jornal "Voz da Terra", Sérgio Vieira perdeu o espaço por estar incomodando a administração municipal, comandada pelo prefeito Ricardo Pinheiro Santana (PSDB). Em seu lugar, passou a escrever o jornalista Nelson Cillo.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A carta de S.A.I.R. Dom Luiz de Orleans e Bragança aos constituintes de 1987

Tendo notado a curiosidade de diversos monarquistas e historiadores com relação a esse famoso documento, decidimos divulgar, na íntegra, a carta que o Príncipe Dom Luiz, nosso augusto Chefe da Casa Imperial do Brasil, enviou aos membros da Assembleia Constituinte que preparava a atual Constituição Brasileira, no dia 7 de setembro de 1987 – o 165º aniversário da Proclamação da Independência do Brasil, pelo Imperador Dom Pedro I (1798-1834), às margens do Ipiranga.
Essa carta é um documento de grande importância histórica. O Príncipe Dom Luiz a escreveu num momento em que o Brasil, saindo dos tempos sombrios da Ditadura Militar, buscava garantir a seu povo plena liberdade política. Ora, até mesmo os comunistas, adeptos de doutrinas cruéis, ditatoriais e assassinas que obtiveram apenas fracasso em todo o Mundo, passaram a ser livres para defender suas ideias – que pregavam nada mais do que convulsões sociais e derramamento de sangue.

Se isso estava acontecendo, por que os monarquistas, defensores do Regime que mais se aproxima da boa ordem posta por Deus Nosso Senhor na Criação, o Regime que vigora nos países mais democráticos, ricos e desenvolvidos do Mundo, não poderiam, de forma livre e dentro da lei, difundir seu benfazejo ideal de Restauração da Monarquia entre os brasileiros das mais diferentes raças, crenças e classes sociais?

Como é sabido, os monarquistas brasileiros estavam amordaçados pela famigerada Cláusula Pétrea, que, desde a Constituição de 1891, impedia qualquer tipo de manifestação daqueles que defendiam a Forma de Governo que, ao longo de todo o Império, deu estabilidade, progresso e felicidade ao Brasil e seu grandioso povo.

Assim sendo, o Príncipe Dom Luiz – homem de enormes e inegáveis sabedoria, estaturas moral e cristã, e amor pelo Brasil – tomou a iniciativa de escrever aos membros da Assembleia Constituinte, narrando todo o inestimável serviço que a Família Imperial continuou a prestar ao Brasil após o Golpe Militar e Positivista que proclamou a República Brasileira, para que com isso, fosse reconhecido aos monarquistas – homens e mulheres honrados, defensores e cultivadores do mais importantes valores e tradições de nossa Pátria – o direito de lutar por seus ideais. Além disso, Sua Alteza Imperial e Real ofereceu aos membros da Assembléia generosos conselhos com relação ao Brasil, que recém-saído dos “Anos de Chumbo”, já se via ameaçado pela sombria e sedenta mão do Comunismo. Os conselhos dados por nosso venerável Príncipe tinham como único objetivo manter o Brasil no rumo em que a Divina Providência o havia colocado, para que assim nosso amado País alcançasse o topo do Concerto das Nações, cumprindo-se a vocação cristã desta Terra de Santa Cruz.

Sem dúvidas, é graças a essa carta, e, por consequência direta, graças ao Príncipe Dom Luiz, que hoje podemos propagar livremente as ideias monarquistas, com objetivo de que um dia o Brasil retorne aos tempos de glória do Império, onde o Imperador – Soberano que deve sua posição somente a Deus e à História – poderá zelar, como um pai amoroso e cuidadoso, por todos os brasileiros, ao mesmo tempo em que irá fiscalizar os políticos, impedindo os abusos do Parlamento, coisa que o Monarca faria com usando o essencial Poder Moderador.

Por isso mesmo, todos aqueles que são verdadeiros monarquistas devem ser leiais ao Chefe da Casa Imperial e seus legítimos sucessores. Aqueles que questionam a legitimidade do Príncipe Dom Luiz não passam de agitadores, mentirosos subversivos, hipócritas e verdadeiros prostitutos intelectuais, a quem os verdadeiros monarquistas não devem dar ouvidos. Devemos cerrar nossas fileiras em torno de nosso legítimo Imperador, numa verdadeira “Gesta Dei per brasilienses”.

Segue-se a carta:
São Paulo, 7 de setembro de 1987

Senhores Constituintes

É na condição de Chefe da Casa Imperial do Brasil que tenho o prazer de me dirigir a V. Exas., e o faço neste 7 de setembro que transcorre numa conjuntura histórica realmente digna de nota. De um lado, já estamos a poucos meses do 100º aniversário da libertação dos escravos, e a dois anos apenas do centenário da proclamação da República; de outro lado, o Brasil se encontra presentemente numa encruzilhada decisiva, como talvez nunca tenha havido em sua História.
— I —

1822-1987 — CONTINUIDADE DA AÇÃO HISTÓRICA DA CASA IMPERIAL

Posso afirmar com ufania que, nos 67 anos de regime monárquico, como nos quase 100 anos de vigência do regime republicano, a Família Imperial aproveitou todas as oportunidades ao seu alcance para bem servir o Brasil. E que sempre o fez dentro da mais estrita legalidade.

Seja-me dado mencionar, a esse propósito, vários fatos significativos, posteriores à proclamação da República e muito conhecidos a seu tempo no Brasil, mas que o correr dos anos, agitados pelo torvelinho do viver moderno e pela dramaticidade das crises e guerras internacionais, fez esquecer gradualmente.

Se, ao fazê-lo, eu me detenho nestes ou naqueles pormenores, peço que os Srs. Constituintes vejam nisso o comprazimento com que narro o indefectível devotamento de meus ancestrais pela Terra de Santa Cruz, devotamento esse que é para mim um programa de vida.

O exemplo de D. Pedro II

A inteira disponibilidade para o serviço da Pátria, e ao mesmo tempo a observância meticulosa das leis vigentes, já caracterizaram a conduta de meu trisavô D. Pedro II, no decurso do breve tempo em que sobreviveu ao golpe de 15 de novembro.

É clássica a página de Affonso Celso, narrando seu último encontro com o velho Monarca, num hotel modesto de Versailles:

"A palavra de D. Pedro II (...) palpitava de ardor, a que o seu venerando aspecto, a sua autoridade moral, os nobres impulsos a que obedecia, comunicavam eloqüência irresistível.

"— Quanto a voltar, continuou (...), se me chamarem estou pronto. Seguirei no mesmo instante e contentíssimo, visto ser útil ainda à nossa terra. Mas se me chamarem espontaneamente, notem. Puseram-me para fora... Tornarei se se convencerem de que me cumpre tornar. Conspirar, jamais. Não se coaduna com a minha índole, o meu caráter, os meus precedentes. Seria a negação da minha vida inteira. Nem autorizo ninguém a conspirar em meu nome ou no dos meus" ("O Imperador no Exílio", 2.ª edição, p. 57).

... seguido por sua filha, a Princesa Isabel

A mesma linha de conduta deliberou seguir minha bisavó, a Princesa Isabel, que jamais incentivou nem autorizou qualquer tentativa de restauração monárquica por meios violentos. Sendo de piedade notória, ela continuou concorrendo com o valor de suas preces para que nosso País prosseguisse nas vias gloriosas da Civilização Cristã, rumo à peculiar grandeza — também cristã — que ela sabia ser o destino especifico de nossa Pátria.

Por outro lado, interpôs ela toda a sua influência junto aos meios eclesiásticos da França, onde vivia com seu esposo o Conde d'Eu, para que no célebre santuário do Sagrado Coração de Jesus, erguido em Paray-le-Monial, centro de convergência da piedade dos católicos de todo o mundo, estivesse presente o Brasil, por uma placa impetratória que ficou aposta a um dos muros desse lugar sagrado.

Igualmente foi por iniciativa dela, e por seu intermédio, que o Episcopado brasileiro enviou, em 1901, uma súplica ao Papa Leão XIII, pedindo a proclamação do dogma da Assunção de Maria Santíssima.
Encaminhando ao Pontífice a mensagem dos Bispos do Brasil, escrevia minha bisavó: "Longe de minha Pátria, sinto-me feliz ao menos por trabalhar pelo que nela pode fortificar a Fé" (carta de 6-6-1901).

Dessa forma, o Brasil juntava sua voz ao clamor universal dos fiéis, para que mais um título de glória da Santa Mãe de Deus fosse solenemente proclamado pela Igreja. Quase meio século depois, a 1.º de novembro de 1950, Pio XII houve por bem definir, como dogma de Fé, a Assunção corpórea de Maria aos céus.

Generosa e caritativa que era, a Princesa Isabel destinava parte de seus apenas suficientes recursos ao socorro dos pobres e doentes. Os pedidos que lhe chegavam do Brasil, muito numerosos, eram preferencialmente atendidos, com discrição e solicitude.

... e também pelo Conde d'Eu e por seus filhos

Ela fez questão de educar num acendrado amor à nossa Pátria os seus três filhos. Isso explica que, declarada a Primeira Guerra Mundial, dois deles que se encontravam em condições de combater se inscrevessem sob a bandeira inglesa, na persuasão de que, cedo ou tarde, o Brasil haveria de ingressar no conflito, e que dessa maneira eles se antecipavam no serviço de sua terra.

Meu bisavô, o Conde d'Eu, lembrado dos saudosos anos em que, como Marechal do Exército brasileiro, comandara nossas tropas na Guerra do Paraguai, não hesitou em inscrever-se na guarda cívica em que se alistavam franceses de idade avançada, dispensando assim o serviço de jovens que podiam acorrer aos campos de batalha. Era com emoção — confessou em carta ao historiador Max Fleiuss — que ele esperava o momento em que as tropas brasileiras chegariam à Europa, para se juntarem aos exércitos aliados.

O "Príncipe Perfeito": intenso anelo de visitar o Brasil

Meu avô, o Príncipe D. Luiz de Orleans e Bragança, apesar de já casado e pai de três filhos, serviu nas linhas avançadas da frente belga, participou ativamente de diversas batalhas e veio a falecer, em março de 1920, com apenas 42 anos de idade, em consequência de um reumatismo ósseo contraído nas trincheiras geladas do Yser. Por seu desempenho heróico foi citado em ordem do dia do Exército francês e condecorado, a titulo póstumo, pela França, pela Bélgica e pela Inglaterra.

Durante as operações bélicas, freqüentemente ia, a serviço, ao quartel general de seu primo Alberto I, o rei dos belgas. Nas conversas que então com este mantinha, mostrava meu avó um tão alto espírito cívico e patriótico, que "o Rei Cavaleiro" — como era chamado Alberto I — dele disse ser o mais perfeito príncipe da Europa. Daí ficar ele conhecido, no Brasil, como "o Príncipe Perfeito".

Já antes da Guerra, em 1907, seu zelo patriótico se manifestara durante a malograda viagem ao Brasil, empreendida com a esperança de visitar a nossa Pátria. Impedido de desembarcar no Rio de Janeiro pelo governo Affonso Pena — que se baseou em parecer de Ruy Barbosa — meu avô recebeu a bordo incontáveis visitas de brasileiros, e pôde novamente contemplar saudoso o panorama incomparável da baía de Guanabara, o qual haveria de descrever nas páginas emocionantes de "Sob o Cruzeiro do Sul".

Tal foi a repercussão que teve em nosso País esse livro, que seu autor chegou a ser candidato à vaga aberta na Academia Brasileira de Letras pela morte do Almirante Barão de Jaceguai. E apesar do insuspeito voto favorável de Ruy Barbosa, em razão de circunstâncias políticas sua eleição não se concretizou.

Frustrada assim a razão principal da viagem, prosseguiu meu avô seu peregrinar por outros países da América do Sul — Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Paraguai e Uruguai — com o seu coração e o melhor de suas atenções permanentemente voltados para as fronteiras do Brasil. E não encontrou sossego senão quando, devendo deslocar-se de Puerto Suárez, na Bolívia, à localidade paraguaia de Bahia Negra, conseguiu licença para percorrer uma parte do rio Paraguai que atravessa o território mato-grossense. A licença, porém, foi-lhe concedida com o prévio compromisso de honra de não tomar vapor que arvorasse a bandeira nacional, e de não desembarcar em solo pátrio. Com dor de alma, meu avô cumpriu conscienciosamente ambas as condições.

Quanto a seu irmão mais moço, o Príncipe D. Antonio, também ele faleceu ainda em serviço militar, num avião caído perto de Londres ao final do conflito.

A Princesa Isabel e o Pai da Aviação

Enquanto esses fatos transcorriam, a Princesa Isabel ocupava o pouco que lhe restava viver, pensando com saudades no Brasil, e mantendo larga correspondência com pessoas de sua amizade que ela deixara aqui ao ser exilada. Seus salões estavam sempre abertos para os inúmeros brasileiros que a procuravam em suas residências de Boulogne-sur-Seine e do Castelo d'Eu.

Muito relacionado com a Família Imperial no exílio foi, por exemplo, Santos Dumont, o Pai da Aviação. Sentia-se minha bisavó ufana por ver um brasileiro vencer o desafio da navegação aérea. E estendia a ele o sentimento maternal que tinha por todos os brasileiros: preocupava-se pelo inventor, rezava fervorosamente por ele quando de seus arriscados vôos nos céus de Paris, e tinha especial gosto em lhe mandar saborosos farnéis, para que se alimentasse, no parque de Bagatelle, sem precisar interromper os treinamentos.

Retorno à Pátria saudosa

Em setembro de 1920, uma benemérita decisão do Presidente Epitácío Pessoa revogou a "lei do banimento", e autorizou a trasladação, para o Brasil, dos restos mortais de D. Pedro II e da Imperatriz D. Teresa Cristina.

As condições de saúde de minha bisavó — a essa altura já muito precárias — não mais lhe permitiram atravessar o Oceano, como desejava. Mas acompanhando os veneráveis despojos veio o Conde d'Eu, juntamente com D. Pedro de Alcântara, o dileto filho que a Guerra poupara. Aqui permaneceram até fevereiro de 1921.

A 14 de novembro do mesmo ano, expirava tranquilamente no Senhor a Princesa Isabel. A gratidão e as bênçãos do elemento servil libertado lhe foram, com certeza, de grande valia aos pés do trono de Deus.

No ano seguinte, viajaram os meus novamente ao Brasil, a convite do mesmo Presidente Epitácio Pessoa, a fim de participarem das comemorações do centenário de nossa Independência, sendo recebidos, por aquele insigne estadista, com expressivas manifestações de seu apreço enquanto Chefe de Estado, e de seu valioso devotamento enquanto ardoroso brasileiro, bem como por sua nobre esposa, D. Mary Pessoa.

Tornando as circunstâncias possível que aqui voltassem a residir permanentemente os membros da Família Imperial, foram estes regressando, com gáudio de alma, à sua Pátria, e hoje aqui vive toda a descendência masculina de D. Pedro II.

Meu Pai, agricultor, chefe de família e artista — antes de tudo brasileiro de acendrado amor a Pátria

Meu Pai, D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança, primogênito do Príncipe D. Luiz, nasceu em 1909, no exílio, e foi batizado com água levada do Chafariz do Largo da Carioca. Herdou ele diretamente de sua avó, a Princesa Isabel, a Chefia da Casa Imperial do Brasil, uma vez que seu pai já era falecido quando a Redentora encerrou seus dias. Chegado ao Brasil, dedicou-se desde logo à agricultura, que exerceu com empenho no Paraná e depois no Estado do Rio de Janeiro.

D. Pedro Henrique tinha plena consciência de que, se não era oportuno que desenvolvesse aqui um papel político, restava-lhe porém um grande papel de ordem social a desempenhar. Pois a sociedade brasileira como um todo —incluída nessa designação todas as classes sociais -- sempre conservou admiração e respeito para com a Família Imperial, o que se pode afirmar, sem distinção de colorido político, tanto dos brasileiros republicanos, quanto dos que continuaram fiéis à causa monárquica.

Meu Pai deu ao Brasil o exemplo, não tão freqüente em nosso País e em nossos dias quanto seria de desejar, de um chefe de família modelar, que com sua esposa, minha Mãe a Princesa D. Maria da Baviera de Orleans e Bragança, nos ensinou — a mim e a meus onze irmãos e irmãs — que nós, mais ainda do que quaisquer outros brasileiros, temos pesadas obrigações para com a Pátria, e devemos estar dispostos a servi-la em qualquer campo e em qualquer momento que isso nos seja pedido.

Sendo dotado de notável sensibilidade artística, meu Pai passou os últimos anos de vida em seu atelier, empenhado em pintar aquarelas sobre motivos da arquitetura tradicional brasileira. Pode-se dizer que ele foi um dos propulsores da sadia tendência que hoje se faz notar em certos meios culturais e artísticos brasileiros, no sentido de valorizar e preservar a assim chamada "memória nacional".

Até falecer, em 1981, prosseguiu ele a mesma linha de conduta que caracterizara seus antecessores. Sem embargo da inalterável disposição de servir o Brasil, manteve modelar observância das leis vigentes, e se absteve sistematicamente de toda tentativa de perturbação da ordem legal em nome de um sentimento monárquico por certo muito legítimo e digno de respeito, mas cuja efetividade política deveria ser guardada para melhores dias.

A Família Imperial integrada no Brasil de nossos dias

Foi nesse espírito que, à uma, a Família Imperial participou das cerimônias de trasladação dos despojos da Imperatriz D. Leopoldina, para o monumento nacional do Ipiranga, em 1954; da Princesa Isabel e do Conde d'Eu, para a Catedral de Petrópolis, em 1971; do Imperador D. Pedro I para o monumento do Ipiranga — onde tanto merecia repousar o proclamador de nossa Independência — em 1972, durante os festejos do sesquicentenário da Independência; e, em 1982, dos restos da Imperatriz D. Amélia, e de sua filha a Princesa D. Maria Amélia, também para o Ipiranga. Uma abstenção da Família Imperial poderia deslustrar essas cerimônias, conferindo-lhes um caráter político que reavivasse discórdias sobre as quais o tempo havia deixado cair a sua pátina. De modo algum a Família Imperial quereria contribuir para que um efeito desses se produzisse. Sem qualquer ressentimento pelo passado, associou-se às autoridades que então exerciam o poder, na oração por aqueles ilustres mortos, e na participação das cerimônias comemorativas que elas haviam organizado.

— II —

MEU CONSEQUENTE APELO AOS SRS. CONSTITUINTES

Essa seqüência de fatos, com os respectivos pormenores, ajuda-me a externar como sinto as circunstâncias em que presentemente se encontra o nosso País. E como me acho obrigado, por um dever de honra, a tomar a atitude que agora tomarei.

O Brasil em um conjunto de crises, e a Assembléia Nacional Constituinte

O Brasil atual se está debatendo não propriamente numa crise, mas numa convergência de crises de ordens diversas — morais, sociais, econômicas — que constituem um só torvelinho o qual vai agitando a nação de ponta a ponta. A esse conjunto de crises não falta sequer a crise religiosa, ocasionada por divergências que se pronunciam, infelizmente, em nível mundial na Santa Igreja, e vão repercutindo cada vez mais em nossa população tão católica.

Nunca, em seus 165 anos de vida independente, o País esteve numa encruzilhada tão decisiva. Do rumo que ele tomar agora — e, permitam-me os Srs. Constituintes que o diga, do rumo no qual o guiarem V. Exas. —dependerá não só o futuro próximo do Brasil, mas também, em uma perspectiva histórica de mais longo prazo, todo o grandioso porvir que o espera nos séculos vindouros.

Ante a eventualidade de plebiscito sobre a forma de governo

É precisamente nessa emergência — a qual eu vinha acompanhando com natural reserva, mas profundamente atento — que recebo a comunicação de que brasileiros em número não pequeno, tendo à sua testa a figura relevante do Deputado Cunha Bueno (PDS-SP), apresentaram um abaixo-assinado à Assembléia Nacional Constituinte, no qual, abstração feita de questões dinásticas, pedem um plebiscito a respeito da forma de governo que deva ser adotada em nosso País, cabendo três opções: a república presidencial, a república parlamentar e a monarquia parlamentar. Esse referendo seria realizado em 1993, após terem os propugnadores de cada forma de governo podido, com toda a liberdade inerente às atuais instituições, defender junto à opinião pública suas idéias.

De mais de um lado foi-me solicitado dar minha opinião sobre esse abaixo-assinado, promovido por beneméritas entidades dos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, e ao mesmo tempo a manifestar à Constituinte minha solidariedade com ele.

O que equivale a dizer que uma parcela dos monarquistas e, mais amplamente, dos brasileiros, deseja que eu me manifeste.

Argumentam eles que a presente conjuntura me pede mais do que a reserva que as circunstâncias haviam indicado a meus maiores. Reunida a Assembléia Nacional Constituinte, está ela investida, segundo a doutrina jurídica vigente, de poderes soberanos. E, no exercício desses poderes, pôs-se ela ao alcance de todos os brasileiros para lhes ouvir a voz e lhes conhecer os anseios.

Na condição de continuador de linhagem tão intimamente unida à História da Pátria, e por isso mesmo destinada ao serviço desta por um liame de natureza histórica e afetiva superior até mesmo a quaisquer cogitações políticas, consideram esses abnegados brasileiros que, neste momento, não me devo calar. E bem vejo que lhes assiste toda a razão.

Este é o motivo pelo qual, Srs. Constituintes, eu me dirijo a V. Exas., a fim de lhes manifestar alguns desejos apresentados com simpatia e apreço.

Em meio à convulsão universal, os anseios de um povo cristamente altaneiro e bom

Estou persuadido de que nosso povo, altaneiro, religioso e bom, nada tem de comum com as vozes enganadoras que de todas as partes se levantam, fazendo ouvir sentimentos de discórdia e anseios de convulsão.

Não é em direção ao que elas apontam que o Brasil deve rumar. A medida em que a dureza das circunstâncias internacionais presentes vai acirrando os ânimos, o povo brasileiro resiste ao convite universal para a concorrência, para a rivalidade e para um desfecho de proporções apocalípticas. E lhe resiste, não só porque tal é seu interesse — e, bem entendido, é seu direito incontestável — mas porque ele é cristão e bom, e em todas as circunstâncias o primeiro impulso de sua alma é a procura da concórdia, sob o bafejo do afeto.

Unidade e continuidade histórica brasileiras, ameaçadas por exorbitante interpretação do passado

Não permitam, Srs. Constituintes, que por razão alguma se dilacere em disputas artificiais e acres nossa unidade nacional. O que indubitavelmente se daria caso se consentisse no retalhamento de nosso País para a formação de como que "nações" encravadas na nossa, portadoras de uma herança étnica e cultural apresentada como se, em muitos de seus aspectos, fosse insusceptível de integração harmônica no Brasil. A tal o convidam teólogos e sociólogos, pensadores sem tino, entre os quais não falta até quem malsine a hora em que as caravelas com a Cruz de Cristo abordaram nosso litoral, trazendo com os missionários as bênçãos, as promessas e as riquezas espirituais e culturais da Civilização Cristã. E quem ademais vê como transgressores do direito de propriedade dos povos que aqui estavam, os bravos lusos que, ao ocuparem as imensidões ermas de nosso território, cumpriam o preceito divino "Crescei e multiplicai-vos, povoai toda a terra" (Gênesis, I, 28).

Proteção ao querido povo indígena, manutenção de suas características, tudo isto lhes desejo para que, sem se dissolverem na Pátria comum, sejam elementos positivos para a caracterização dessa fraternal soma de raças e de povos que é chamado a ser o Brasil.

A luta de classes, via que o Brasil inteiro rejeita

Igualmente recuso-me a ver nas relações entre capital e trabalho uma liça de atritos cada vez mais agressivos. Injustiças as há onde quer que existam homens. E cumpre que todos — os legisladores quiçá mais do que ninguém — tratem de as extirpar. A erradicação das injustiças não pode, porém, ter como rota a luta de classes, em que elas se acirram, e caminham para se tornar fratricidas. Isto, de alto a baixo de sua estrutura sócio-econômica, os brasileiros não o querem. A luta de classes não é a substância das relações capital-trabalho, mas sim a degenerescência delas. Sobram-nos os recursos para com sagacidade, firmeza e prudência, aperfeiçoar cada vez mais — no âmbito da propriedade privada e da livre iniciativa, aprimoradas pela observância das respectivas funções sociais — relações inspiradas pela justiça e pela caridade cristãs. O que peço a V. Exas. é a colaboração de todos para essa meta comum.

Há nisto uma utopia, poderão objetar, rindo-se, patrícios nossos inspirados por influências alienígenas.
Mas minha resposta é que se o Estado não extravasar de suas atribuições, se ele defender a propriedade privada e a livre iniciativa, se ele favorecer a caridade e se, sobretudo, ele franquear ao trabalho dos pobres seu latifúndio imenso de terras devolutas, ser-lhe-á possível resolver uma questão social que tantos se empenham em pintar com cores exageradamente negras, para apresentá-la como irremediável sem uma convulsão sócio-econômica.

Reformas injustas e liberticidas — temerário minguamento das atribuições das Forças Armadas

A liberdade... quanto se fala dela! E quantos pensam caminhar em direção a ela, mas de fato andam rumo à tirania! A partir do momento em que o Poder Público, por sucessivas reformas — agrária e urbana, esta última tanto aplicada a bens fundiários quanto industriais e comerciais — esteja investido do suposto direito de desapropriar a preço vil quaisquer terras, imóveis urbanos ou empresas do Pais, quem, no Brasil, continuará a ser verdadeiramente livre?

E se porventura se retirarem a nossas Forças Armadas sua natural atribuição de garantir a ordem interna, a quem se dará liberdade, senão à mazorca e até à revolta?

Não é o caso de entrar em mais pormenores. Esses poucos pontos, a que aludo como que de passagem, bem indicam o rumo geral que desejo para nossa Pátria.

A liberdade de ação monarquista, num Brasil em que até a propaganda comunista é livre

E esta liberdade que desejo para todos, desejo-a também para aqueles dentre os brasileiros que se voltam para mim neste momento, com especial esperança de apoio e de orientação.
Não lhes seja negada agora, Srs. Constituintes, a liberdade que V. Exas. se gloriam de ver reconhecida a toda a nação, e isto a tal ponto que, mesmo a homens que se destacaram na luta por vezes cruenta da mais extremada esquerda, ela é reconhecida. E lhes estão franqueadas funções das mais altas no Estado.

Assim, aos que seguem a linha de pensamento pacífica, ordeira, impregnada de espírito de colaboração como são os monarquistas, não sejam vedados na nova Constituição direitos iguais aos que são concedidos aos mais impetuosos dentre os comunistas.

Com efeito, estou persuadido de que há todas as razões para admitir que o regime monárquico atua, de per si, do modo mais eficaz para ajudar o Brasil a que saia com felicidade do conjunto de crises que ameaçam submergi-lo. E penso que, para todos os brasileiros animados por tal persuasão, é um direito e é um dever atuar no sentido de que esse regime se estabeleça no Brasil.

Estou de acordo, pois, em que devemos pedir à atual Constituinte que não inclua, no futuro texto constitucional, a "cláusula pétrea" que foi fixada na Constituição de 1891. Essa cláusula proibia, como sabem V. Exas., que fosse objeto de consideração do Legislativo qualquer proposta de modificação da forma republicana de governo (art. 90, § 4.º). O mesmo dispositivo foi inexplicavelmente repetido pelas Constituições de 1934 (art. 178, § 5.º), de 1946 (art. 217, § 6.º) e pela de 1967, atualmente em vigor (art. 47, § 1.º). Essas Constituições, que reconheciam a todos os brasileiros, sem nenhuma distinção, o direito de manifestar livremente o seu pensamento, de fato faziam uma distinção, excluindo uma categoria deles. Eram os monarquistas, impedidos discriminatoriamente de se organizarem e de trabalharem legalmente para a vitória de sua causa por via eleitoral.

O "apartheid" ideológico contra os monarquistas contradiz o regime republicano

Esse singular "apartheid" ideológico se torna, no Brasil de hoje, tanto mais incoerente quanto o regime de Abertura foi constituído sob o lema da repulsa a todas as discriminações e "apartheids". A manutenção da referida "cláusula pétrea" no Brasil atual não tem, portanto, a menor razão de ser.
Quando o Império era vigente, aliás, tal discriminação não se suportaria contra os republicanos, que aqui gozavam de toda a liberdade. Se coisa diversa acontecesse, muitos dentre os próprios monarquistas haveriam de cerrar fileiras em torno de seus adversários políticos, para que tal liberdade lhes fosse concedida.

Como explicar que o regime republicano — o qual se pretende ainda mais cioso das liberdades do que o regime monárquico — tolha entretanto à causa monárquica o direito de existir no coração de muitos brasileiros, de se propagar e de disputar ante o Pais livre as preferências para si mesma? Não é isto amordaçar o Pais, impedindo-o de escolher seus rumos quando e como ele quiser?

A "cláusula pétrea": para os monarquistas, amordaçamento discriminatório, para os republicanos, desprestigio

À vista das circunstâncias aqui expostas apresento, pois, à Assembléia Nacional Constituinte este pedido: que em nossa nova Carta Magna não seja mantida a "cláusula pétrea" que consta do Substitutivo ao Projeto de Constituição atualmente em tramitação (art. 92, § 4.º, II).

A ser recusada a liberdade a que temos direito, que resultaria disso? Para os próprios republicanos, apenas desprestígio aos olhos da opinião mundial. Pois ficaria patente que, decorrido quase um século da proclamação da República, esta última ainda não sente arraigo popular suficiente para ser coerente consigo mesma e enfrentar sem apreensões a oposição monárquica. O que a mostraria consciente de que esse espírito monárquico ainda lateja no fundo do coração de incontáveis brasileiros.

Por outro lado, a inocuidade da aludida discriminação se revela pelo próprio fato de que, em 1987, quase nos umbrais do século XXI, ainda a solução monárquica se apresenta à Constituinte como uma eventualidade. Como uma eventualidade para a qual olha com esperança, ou com uma interrogação carregada de simpatia, um crescente número de brasileiros. Não prova isso, mais do que qualquer outro argumento, o quanto foi contraproducente aquela medida de rigor? Por que mantê-la então?

* * *

Na esperança de que V. Exas., Srs. Constituintes, ponderem os argumentos aqui expostos e tomem em consideração esses meus anelos, manifesto-lhes desde já meu agradecimento. Incontáveis brasileiros, monarquistas ou não, não compreenderiam da parte de V. Exas. outra atitude. E não só eles hoje, mas a História amanhã, não lhes regatearão aplausos se V. Exas., coerentes consigo mesmas, reconhecerem a liberdade de ação dos brasileiros monarquistas.

Peço a Deus que ilumine os Srs. Constituintes, para que dotem nosso País de uma Constituição realmente condizente com os sagrados direitos e os altos interesses de nossa Pátria.

Luiz de Orleans e Bragança

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ministro da Saúde confirma a vereadores do PT curso de Medicina para Assis (SP)

Ministro Alexandre Padilha quer vestibular em 2014

No encontro de vereadores do PT na cidade de Itupeva (SP), realizado na última sexta-feira, dia 6 de dezembro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao discursar sobre as etapas do programa Mais Médicos, anunciou a relação dos 16 municípios do estado de São Paulo que tiveram aprovada a criação do curso de Medicina. Entre as cidades, Padilha confirmou a aprovação do curso para Assis (SP).

A informação, comemorada aos gritos pelos vereadores Reinaldo Farto Nunes, o Português, e José Luiz Garcia, ambos do PT, foi gravada e reproduzida durante a sessão da Câmara Municipal de Assis na última segunda-feira, dia 9 de dezembro.

"Para se tornar uma realidade, basta a Prefeitura e a Fundação Educacional do Município de Assis (Fema) atenderem as exigências previstas por técnicos do Ministério da Educação que estarão visitando a cidade no começo do ano, mas tenho certeza que Assis poderá contar, em breve, com um curso de Medicina. Esse é o melhor presente de Natal que a cidade poderia receber", discursou emocionado, o vereador Reinaldo Nunes, líder da bancada do PT na Câmara Municipal.

Segundo o próprio Alexandre Padilha, o Ministério da Educação prevê vestibular já em 2014 para início dos cursos da primeira turma em 2015.

"Assis deverá receber uma visita dos representantes do MEC, que irão checar todas as informações repassadas pelo município no ato de sua inscrição solicitando o curso. Se todas as informações forem confirmadas e aprovadas pelo MEC, Assis poderá ter seu tão sonhado curso de Medicina já em 2015", disse o ministro da Saúde.

Na segunda-feira, dia 9, os vereadores Reinaldo Nunes e José Luiz, integrantes do diretório petista, Silvio Freitas e Hélio Paiva Mattos, se reuniram com o diretor executivo e o presidente do Conselho Curador da Fema, professores Eduardo Vella e Ulysses Telles Guariba Neto, para discutir o interesse da instituição em receber o curso de Medicina. "Faremos todos os esforços para atender as exigências do Ministério da Educação para abrigar esse curso", confirmou Vella.

Nunes e Garcia pretendem se antecipar aos técnicos do Ministério da Educação e planejam agendar uma audiência com o ministro Aloízio Mercadante para ressaltar a importância da chegada desse curso à região.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Penteado black power impede rematrícula de aluno em escola de Guarulhos (SP)

A gerente administrativa Maria Izabel Neiva, 37, diz que foi impedida de fazer a rematrícula do filho Lucas, 8, em uma escola particular de Guarulhos (Grande São Paulo). O motivo seria o penteado black power usado pelo garoto

Segundo o depoimento da mulher à polícia, a diretora do Colégio Cidade Jardim Cumbica, localizado no Jardim Cumbica, disse que o cabelo do menino é "muito grande e crespo".

A mãe do garoto afirma ainda que ele passou para a quarta série do ensino fundamental com boas notas e não há motivo para negar a matrícula. De acordo com ela, a diretora da escola já tinha chamado a atenção do menino por causa do cabelo dele em agosto. O motivo, segundo a mãe, é que o corte "não é adequado para a instituição de ensino".

Na terça-feira (3), a mãe do menino foi informada pela diretora que não havia mais vagas na escola para o período que ela pediu. A mulher, porém, diz que não recebeu nenhuma notificação formal da escola.


A mãe de outra aluna da mesma sala do menino disse à polícia que conseguiu fazer a rematrícula da filha no mesmo período solicitado e após a tentativa da mãe do garoto impedido.


Ao questionar a diretora sobre o caso, Maria Izabel disse que a diretora respondeu, em tom de deboche, era para ela marcar uma hora para conversarem.


A mulher diz que o único motivo para a diretora negar a rematrícula é o corte do cabelo de seu filho. Isso porque ela afirmou que não atrasou nenhuma mensalidade e o menino nunca teve problemas de comportamento ou disciplina.

Procurado, o Colégio Cidade Jardim Cumbica não comentou o caso até a publicação desta matéria.
Fonte: Folha de S.Paulo

Quer dizer que só alunos que tem cabelo liso são aceitos nessa escola? Só falta querer pedir a mãe branqueie a pele do garoto também.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O Rio de Janeiro homenageia o imperador Dom Pedro II

Ontem, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro homenageou o mais ilustre cidadão carioca, o Imperador Dom Pedro II (1825-1891), nascido no Palácio de São Cristóvão – coração da Cidade Maravilhosa. A solenidade marcou o 188º aniversário do Imperador-Cidadão, ocorrido no dia anterior, 2 de dezembro.

A sessão solene, proposta pelo Vereador Cesar Maia, do DEM, foi organizada em parceria com o Círculo Monárquico do Rio de Janeiro, uma das mais antigas e renomadas instituições Monarquistas do Brasil, que há décadas vem assessorando aos Príncipes e Princesas da Família Imperial e demais membros da Casa de Orleans e Bragança, além de promover – com grande afinco – a Restauração da Monarquia em nosso País.

E sessão, que contou com a presença de muitos Monarquistas e amigos da Família Imperial, foi iniciada às 18h30, e se estendeu até às 21h, sendo seguida por um coquetel de confraternização. O Príncipe Dom Antonio do Brasil, terceiro na Linha de Sucessão ao Trono Imperial Brasileiro, representaria a Família Imperial no evento, mas, infelizmente, Sua Alteza Real teve um mal estar, e não pôde ir. Assim sendo, seu irmão, o Príncipe Dom Fernando de Orleans e Bragança, foi o representante dos descendentes do Imperador Dom Pedro II na solenidade.

Na foto, Sua Alteza Real – que foi muito elogiado por sua enorme simpatia – aparece ao lado do Vereador Cesar Maia.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Cientista denuncia pressão contra publicação de pesquisa anti-OGM


O professor francês Gilles-Eric Séralini, que publicou há um ano um estudo sobre a toxicidade “alarmante” do milho transgênico nos ratos, criticou nesta quinta-feira a revista que publicou seu estudo e denunciou que esta recebeu “pressões” para que suspendesse seu trabalho. Matéria da AFP, no Yahoo Notícias.

“Rejeitamos que o artigo seja retirado”, afirmou o cientista durante coletiva de imprensa em Bruxelas.

O pesquisador denunciou “pressões insuportáveis”, destacando que o editor da revista Food and chemical toxicology não tinha constatado “nem fraude, nem má interpretação dos dados” em seu estudo.

“Os resultados apresentados, que não são incorretos, não permitem concluir”, alegou o encarregado editorial da revista, em uma mensagem dirigida a Seralini, datada de 19 de novembro e que o professor tornou pública.

Por causa disto, o artigo foi retirado da revista.

“Mantemos nossas conclusões”, respondeu Séralini em mensagem endereçada à revista que, conforme as regras habituais, publicou o estudo depois que um grupo de cientistas o avaliou.

Interrogado pela AFP, o cientista vinculou esta decisão à “chegada ao comitê editorial da revista de Richard Goodman, um biólogo que trabalhou vários anos na Monsanto”, gigante americana do setor dos organismos geneticamente modificados.

“Um debate científico não é uma razão para retirar um artigo, só um caso de fraude ou erro pode justificá-lo”, acrescentou.

O estudo chefiado por Séralini e publicado em setembro de 2012 dizia que os ratos alimentados com OGM morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência que aos demais.

“Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas (com OGM). Há de duas a três vezes mais tumores em ratos tratados dos dois sexos”, explicou na ocasião Seralini.

Para fazer o estudo, duzentos ratos foram alimentados durante um máximo de dois anos de três formas diferentes: exclusivamente com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais usado no mundo) e com milho não geneticamente modificado tratado com Roundup.

Os dois produtos (o milho NK603 e o herbicida) são de propriedade da empresa americana Monsanto.

Durante o estudo, o milho fazia parte de uma dieta equilibrada, servido em porções equivalentes ao regime alimentar nos Estados Unidos.

“Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e importante durante o consumo dos dois produtos”, havia dito Seralini.

Em sua carta, o encarregado editorial da revista, A. Wallace Hayes, explicou que um painel de cientistas voltou a analisar os dados do estudo e avaliou que “o artigo devia ser retirado”.

O encarregado editorial criticou ao mesmo tempo a quantidade de ratos de cada grupo estudado, assim como a raça escolhida para a experiência, o que Seralini refuta, afirmando que este debate não “tem bases científicas”.

As conclusões de Seralini foram rechaçadas pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), mas permitiram fazer interrogações aos protocolos usados para os testes clínicos com OGM.
Fonte: EcoDebate